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Nova divulgação de ficheiros sobre OVNIs por Trump não traz provas de vida extraterrestre – Times de Todos – Noti Mz

A recente decisão da administração Trump de desclassificar dezenas de ficheiros relacionados com OVNIs está a gerar muito mais ceticismo do que entusiasmo na comunidade científica e entre investigadores. Especialistas da área alertam que os documentos carecem de novidades relevantes e não apresentam qualquer prova concreta da existência de tecnologia alienígena.

imagem Ilustrativa

​A promessa de transparência

​Foi no passado dia 8 de maio que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos disponibilizou cerca de 160 ficheiros, outrora secretos, sobre “fenómenos anómalos não identificados” (UAP, na sigla inglesa). Na ocasião, o governo norte-americano garantiu uma “transparência sem precedentes” e prometeu futuras desclassificações.

​O pacote de documentos agora revelado inclui material variado:

  • ​Relatórios que remetem aos famosos “discos voadores” da década de 1940;
  • ​Fotografias captadas durante as icónicas missões espaciais Apollo;
  • ​Vídeos de objectos não identificados registados por militares.

​“Quantidade em vez de qualidade”

​Apesar do volume de informações, Mick West, um conhecido investigador de avistamentos de OVNIs, não se mostra impressionado. O especialista avalia a divulgação como uma aposta na quantidade em detrimento da qualidade, frisando que não existe qualquer “prova irrefutável” que aponte para tecnologia avançada ou vida extraterrestre.

​West nota ainda que uma boa parte destes ficheiros já era de conhecimento público, tendo sido libertada durante a administração de Joe Biden. Quanto aos vídeos inéditos, o investigador sublinha as suas limitações à Reuters, descrevendo-os apenas como “pequenos pontos brancos” que se movem nos ecrãs, demasiado minúsculos para permitir qualquer tipo de identificação conclusiva.

​Ilusões de ótica e o “vídeo do candelabro”

​Segundo Mick West, muitos dos fenómenos registados têm explicações terrenas bastante simples. Podem tratar-se de balões ou do efeito de paralaxe — uma ilusão de ótica criada pelo movimento veloz dos drones militares que captam as imagens.

​Um exemplo apontado pelo analista é o mediático “vídeo do candelabro”. A misteriosa forma em cruz que se vê nas imagens é, de acordo com West, nada mais do que um artefacto ótico provocado pela própria estrutura da lente ou câmara utilizada.

​Falta de contexto e o fascínio pelo Universo

​Greg Eghigian, investigador focado na história dos relatos ufológicos e professor de História e Bioética na Universidade Penn State, partilha da mesma frustração. Para o académico, a divulgação fica muito aquém das expectativas geradas, não revelando nada de verdadeiramente surpreendente.

​O professor defende que o valor destes documentos é essencialmente histórico, mas critica a forma como foram apresentados. A ausência de enquadramento compromete a análise: “Há imagens e filmes que aparecem sem qualquer contexto. Nem sequer sabemos bem o que estamos a ver”, lamenta.

​Apesar de estes 160 ficheiros não trazerem as respostas tão desejadas, Eghigian compreende o entusiasmo contínuo do público. O académico conclui que o fascínio global pelos OVNIs está intimamente ligado à esperança profunda de que a espécie humana não seja a única forma de vida inteligente e à ideia “excitante” de que outras civilizações no universo possam ter interesse em conhecer-nos.

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