Excedente Vai Comprar Agasalhos Para os Filhos de Elvino Dias – Times de Todos – Noti Mz

Numa forte demonstração de apoio popular, a campanha de angariação de fundos criada para liquidar a indemnização judicial imposta a Adriano Nuvunga alcançou e superou o seu objectivo em menos de quatro dias. O activista e director executivo do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) anunciou, numa conferência de imprensa realizada nesta segunda-feira (8 de Junho), que o valor angariado totalizou 1.067.000 meticais.

​Agradecendo o que descreveu como um verdadeiro “banho de amor”, Nuvunga destacou a forte adesão dos cidadãos. O valor remanescente da campanha será direcionado para apoiar a família do falecido advogado Elvino Dias.

​A Força das Pequenas Contribuições

​O sucesso da iniciativa sustentou-se em doações de cariz eminentemente popular. Segundo os dados revelados pelo activista, a campanha mobilizou aproximadamente 18.500 moçambicanos. As características dos donativos refletem o esforço coletivo da população:

  • ​A grande maioria das contribuições situou-se na faixa entre os 1 e 20 meticais.
  • ​Cerca de 5% dos contribuintes chegaram ao ponto de esvaziar as suas contas de mobile money, ficando com saldos negativos devido à cobrança inerente às taxas de transação.

​Para Adriano Nuvunga, esta resposta massiva via carteiras móveis é um sinal claro de revolta e contestação pública contra o veredicto do tribunal, que o próprio classificou como uma “sentença política”.

“O que vimos foi um movimento do povo moçambicano, do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico. Isto mostra que o povo está firme e cada vez mais forte para dizer não às injustiças, para dizer não ao abuso de poder”, declarou o activista.

​Pagamento Suspenso e o Processo Judicial

​A origem desta mobilização solidária prende-se com uma recente decisão do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo. Nuvunga foi condenado a seis meses de prisão (comutados em multa) e ao pagamento de uma indemnização de 1 milhão de meticais por crimes de difamação e calúnia contra Albino Forquilha, presidente do partido PODEMOS. O caso insere-se no mediaticamente conhecido “Caso dos 219 milhões”.

​Apesar de o montante estipulado pela justiça já se encontrar assegurado, o líder do CDD clarificou que o dinheiro não será entregue de imediato ao queixoso. Uma vez que a equipa de defesa vai interpor um recurso da decisão, a execução da sentença fica, por força da lei, suspensa.

​Até que haja uma deliberação definitiva em instâncias superiores (como o Tribunal Supremo), o valor de um milhão de meticais ficará cativo numa conta bancária específica, que será gerida por assinantes designados pelos promotores da campanha. Relativamente à sugestão viral de alguns internautas — que propunham pagar a quantia na residência do queixoso em moedas de 1 metical transportadas num camião basculante —, Nuvunga garantiu que continuará a escutar a opinião pública, mas reiterou que não haverá qualquer pagamento nesta fase do processo.

​Excedente Apoia Filhos de Elvino Dias

​No que diz respeito aos 67 mil meticais que sobraram da meta principal, Nuvunga anunciou que o montante será canalizado para a viúva de Elvino Dias, advogado assassinado em Outubro de 2024. O propósito desta doação é a aquisição de agasalhos adequados para os filhos menores do malogrado, que, segundo apontou o activista, têm enfrentado o actual tempo frio no trajeto para a escola sem camisolas apropriadas.

​Críticas à “Justiça Seletiva”

​Durante a conferência, Adriano Nuvunga não poupou nas críticas à actuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). O activista apontou o dedo à enorme disparidade de tratamento entre o seu caso de difamação, que conheceu um desfecho judicial rápido, e os crimes de sangue que assolam o país.

“Que justiça seletiva é esta aqui?”, interrogou, sublinhando que as investigações às mortes de Elvino Dias, de Paulo Guamba, bem como das dezenas de cidadãos vitimados e sobreviventes da brutalidade policial durante as manifestações pós-eleitorais, continuam sem qualquer avanço ou resolução visível. O director do CDD garantiu, por fim, que continuará a lutar pela reposição da verdade material na segunda instância do tribunal.

(Com base na reportagem original da MZ News)

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