Maputo – O membro do Conselho de Estado, Venâncio Mondlane, informou oficialmente o Presidente da República de que não estará presente na reunião do órgão consultivo agendada para quarta-feira, 10 de junho de 2026. A ausência deve-se a uma deslocação ao exterior com o propósito de denunciar à comunidade internacional o que classifica como “atrocidades desumanas e antidemocráticas” contra o partido ANAMOLA.
A comunicação foi feita através de uma carta oficial (N/Ref: 004/GP-MCE/2026), datada de 8 de junho de 2026 e que já conta com o carimbo de receção da Presidência da República. No documento, cujo assunto versa a “Impossibilidade de participação na reunião do Conselho de Estado”, o político justifica detalhadamente os motivos da sua ausência.
Diplomacia e Denúncias de Direitos Humanos
Na missiva dirigida ao Chefe de Estado, Venâncio Mondlane explica que se encontra fora do país a cumprir uma “agenda política internacional previamente assumida”. O objetivo central desta missão é interceder junto de diversos atores da comunidade internacional relativamente à degradação da situação política e dos direitos humanos em Moçambique.
Sem meias palavras, o membro do Conselho de Estado aponta o dedo à inação estatal e descreve um cenário de terror contínuo. No documento, Mondlane detalha que a sua intervenção no estrangeiro tem um enfoque particular numa série de crimes graves que, segundo o próprio, assolam o país há mais de um ano:
- Assassinatos;
- Raptos e sequestros;
- Prisões arbitrárias;
- Uma “atroz perseguição” movida contra os membros do partido ANAMOLA.
Na carta, Venâncio Mondlane acusa de forma contundente o Estado de omissão, referindo que toda esta onda de violência tem ocorrido “sem nenhuma intervenção das autoridades públicas nacionais para parar com essas atrocidades profundamente desumanas e antidemocráticas.”
Prolongamento da Missão e Cordialidade Institucional
O conselheiro de Estado esclarece que os compromissos diplomáticos e políticos inerentes a esta missão internacional vão estender-se para além da data do encontro de 10 de junho, o que impossibilita o seu regresso a Maputo em tempo útil.
Apesar das severas críticas e denúncias contidas no corpo do texto, Venâncio Mondlane encerra a missiva mantendo o respeito pelas instituições democráticas. O político lamenta não poder estar presente na reunião e faz questão de reiterar a sua “total consideração pelo papel e pela importância do Conselho de Estado no fortalecimento das instituições da República”, aproveitando para renovar os seus mais elevados respeitos ao Presidente da República.