Filha pede ajuda para trazer mãe moçambicana condenada à prisão perpétua na Indonésia há 16 anos de volta ao país – Times de Todos

Uma jovem moçambicana lançou um apelo público dirigido ao Presidente da República, ao Governo de Moçambique e à população, pedindo ajuda para trazer a sua mãe de volta ao país. A mulher encontra-se presa na Indonésia há 16 anos e, segundo uma carta escrita por ela própria a partir da prisão, deseja cumprir o restante da pena em Moçambique, perto da família.
Na publicação feita nas redes sociais, a filha afirma estar de “coração partido” e explica que recebeu uma carta da mãe a pedir ajuda.
“Sou filha de uma moçambicana que está presa na Indonésia há 16 anos. Ela me escreveu uma carta chorando, pedindo ajuda.”
Segundo a jovem, a mãe relata que foi transferida para uma prisão de máxima segurança e enfrenta muitas dificuldades.
A filha afirma ainda que o único desejo da mãe é regressar a Moçambique para cumprir o restante da pena junto da família.
“Ela só pede uma coisa: que o Governo de Moçambique a traga para cumprir o restante da sua pena no nosso país, perto da família.”
Dirigindo-se ao Presidente da República, a jovem faz um apelo emocionado:
“Senhor Presidente de Moçambique, peço com todo o meu coração: ajude a trazer a minha mãe para casa.”
Ela termina a mensagem pedindo aos moçambicanos que partilhem o caso para que chegue às autoridades.
“A todos os moçambicanos, por favor me ajudem! Partilhem esta mensagem até que a voz da minha mãe seja ouvida. Eu só quero abraçar a minha mãe outra vez.”
Mãe escreve da prisão na Indonésia
Na carta manuscrita, a mulher pede que a sua situação seja divulgada e afirma ser uma cidadã moçambicana condenada à prisão perpétua na Indonésia, onde está detida há 16 anos.
Ela escreve que está a pedir ajuda ao Governo de Moçambique para iniciar o processo que lhe permita regressar ao país.
Segundo a carta, existe uma nova legislação que poderá permitir que cidadãos estrangeiros cumpram a pena no respetivo país de origem.
“Agora já tem nova lei que podemos servir a nossa sentença no nosso país, assim como uma filipina e um neozelandês.”
A reclusa afirma que não tem ninguém para tratar do processo em seu nome e pede que o Governo moçambicano autorize a embaixada a prestar a assistência necessária.
Na carta, revela ainda que foi recentemente transferida para uma prisão de segurança máxima.
“Agora fui transferida para maximum security. Depois de 16 anos não sei porque me levaram para maximum security. Talvez porque não tenho dinheiro, porque aqui tudo é dinheiro.”
A mulher diz estar cansada da situação que enfrenta e afirma estar a sofrer muitas injustiças.
Também refere que pretende regressar ao seu país e menciona uma eventual amnistia, mas lamenta que ninguém esteja a acompanhar o seu caso.
Outro dos pontos destacados na carta é a falta de recursos para custear despesas básicas dentro da prisão.
“Até para comida e medicamentos tenho que comprar. Não tenho dinheiro. Talvez vou ter que parar de tomar medicamento.”
No final da mensagem, deixa um último apelo:
“Please help me.”
No topo da carta constam ainda um contacto telefónico identificado como pertencente ao Sr. Franky, com o número +62 815 7555 5582, e o endereço de e-mail [email protected], que, segundo a autora da carta, estão relacionados com a embaixada na Indonésia.
Até ao momento, não há confirmação oficial por parte das autoridades moçambicanas ou indonésias sobre o pedido de transferência da reclusa para cumprir o restante da pena em Moçambique.




