Escrivão de Direito volta a acorrentar filha de 13 anos em Massinga – Noti Mz

Psicólogo alerta para possíveis danos neurológicos graves e irreversíveis na menor
Uma adolescente de 13 anos, identificada como Iásira Hamuza Ossumane, terá voltado a ser acorrentada pelo próprio pai, Hamuza Mussagy Ossumane, escrivão de direito da Procuradoria Distrital de Massinga, na província de Inhambane.
O novo episódio surge semanas depois de uma primeira denúncia sobre as condições em que a menor estaria a viver. Em Julho último, esta plataforma noticiou que Iásira teria permanecido durante cerca de três meses acorrentada dentro de uma capoeira de patos, recebendo, segundo a denúncia, apenas uma refeição por dia.
Na altura, o pai teria justificado a medida como uma forma de castigo, alegando que a filha teria supostamente furtado um telemóvel na escola onde frequentava a 9.ª classe, além de outras acusações relacionadas com alegados delitos.
Depois de a denúncia ganhar repercussão e provocar reacções de repúdio, a adolescente teria passado a viver uma espécie de liberdade parcial dentro da residência do pai.
Nova denúncia dá conta de que adolescente voltou a ser acorrentada
Entretanto, uma nova denúncia proveniente de Massinga dá conta de que o pai terá voltado a acorrentar a própria filha.
Segundo o relato, Iásira foi vista numa barraca localizada na vila municipal de Massinga com uma corrente e um cadeado nos pés, depois de alegadamente ter conseguido escapar do local onde estaria mantida.
A denúncia afirma ainda que, actualmente, o paradeiro da adolescente é desconhecido e que ela estaria novamente submetida a condições de confinamento e acorrentamento.
Psicólogo alerta para consequências graves
Perante a situação, o psicólogo clínico Altino Rolando alerta para possíveis consequências psicológicas e neurológicas graves decorrentes da exposição prolongada da menor a uma situação de cárcere e maus-tratos.
Segundo o profissional, a experiência poderá contribuir, no futuro, para o desenvolvimento de depressão, além de levar a adolescente a encarar o mundo como um lugar perigoso e a apresentar dificuldades em confiar em adultos.
O psicólogo aponta ainda possíveis sequelas sociais, incluindo comportamentos de isolamento e episódios de agressividade repentina.
Altino Rolando defende o resgate físico urgente da menor, seguido de acompanhamento e apoio psicoterapêutico intensivo, com o objectivo de minimizar as consequências da situação e contribuir para a recuperação do seu estado psicológico e neurológico.
Ano lectivo perdido
A denúncia refere também que, devido aos alegados maus-tratos, Iásira teria perdido o presente ano lectivo, enquanto o seu futuro escolar poderá continuar comprometido caso não sejam tomadas medidas urgentes pelas entidades responsáveis pela protecção de menores.
O processo-crime contra Hamuza Mussagy Ossumane, pai da adolescente e escrivão de direito da Procuradoria Distrital de Massinga, encontra-se, segundo a publicação, a seguir os trâmites legais junto da Justiça.
O caso volta a levantar questionamentos sobre a protecção de crianças e adolescentes em situação de risco, particularmente sobre a intervenção das entidades responsáveis e das organizações que trabalham na defesa dos direitos da criança.
A pergunta que permanece é: onde estão as organizações da sociedade civil que trabalham em prol da protecção das crianças em Inhambane, em particular, e em Moçambique, no geral?
Fonte: Andaque Albino / Jornalista do Povo




