sociedade

Entrei na Cadeia Central de Maputo e nunca mais fui o mesmo… 💔 – NotiMz

O dia 13 de Outubro de 2024 foi o dia mais triste da minha vida. Foi quando entrei na Cadeia Central de Maputo, junto com outros 63 reclusos, vindos de diferentes tribunais. A maioria éramos jovens, com sonhos e famílias, sem imaginar o sofrimento que nos esperava.

 

Eram aproximadamente 19 horas quando nos colocaram em fila e nos fizeram entrar, escoltados pelos guardas prisionais. Assim que os reclusos nos viram através das grades, começaram a gritar em changana. Naquele instante, senti um medo que nunca tinha experimentado. Levaram-nos para o Pavilhão 3, onde os novos reclusos eram recebidos, e naquela noite dormimos amontoados, em espaços conhecidos como tumbas.

 

Na manhã seguinte, às 4 horas, já estávamos acordados. Foi quando comecei a ver a verdadeira face da cadeia: pessoas a sofrer com sarna, homens a partilhar um único cigarro e uma fome capaz de levar alguém a situações humilhantes. A refeição era servida por volta das 10 horas: feijão com xima. Para muitos, sobreviver até ao dia seguinte era uma batalha.

 

Mas, no meio daquele inferno, havia uma pessoa que me impedia de perder completamente a esperança: a minha mãe. ❤️

 

Ela levava-me comida todos os dias. Talvez, para ela, fosse apenas uma forma de alimentar o filho, mas, para mim, era muito mais do que isso. A minha mãe era o pilar que me sustentava quando sentia que estava prestes a desabar. Quando tudo à minha volta me fazia sentir abandonado, saber que ela continuava lá fora, sem desistir de mim, dava-me forças para suportar mais um dia.

 

Enquanto aquelas grades me separavam do mundo, o amor dela era a única coisa que me fazia sentir que eu ainda pertencia a alguém. Talvez ela nunca tenha imaginado quantas vezes a sua ajuda me salvou por dentro, quando o meu corpo estava preso e a minha alma quase perdia a força para continuar.

 

Mais tarde, fui transferido para o Pavilhão 5, destinado aos jovens. Ali, vi situações de humilhação e sofrimento que nunca esquecerei.

 

Por isso, se tens um familiar ou amigo na cadeia, não o abandones. Uma visita, um prato de comida ou uma palavra de carinho podem ser a única esperança de alguém que já não encontra forças para continuar.

 

Hoje, graças a Deus, estou fora e tento reconstruir a minha vida. Não me orgulho dos erros que me levaram até lá, mas aprendi uma lição que nunca esquecerei: a liberdade não tem preço, a família é um tesouro e uma decisão errada pode mudar tudo.

 

Jovem, afasta-te dos vícios e das más companhias antes que seja tarde. Não esperes perder a liberdade para aprender a valorizá-la.

 

E à minha mãe, só tenho uma coisa a dizer: obrigado por não me deixares sucumbir quando eu mais precisava de ti. Quando o mundo parecia ter-me abandonado, tu continuaste a ser o meu pilar. ❤️🙏

 

Partilha esta história. Talvez alguém precise de a ler antes de cometer o erro que pode mudar a sua vida para sempre. 💔

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo