Na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, residentes locais lincharam dois indivíduos acusados de se aproveitarem do pânico gerado pelos ataques jihadistas para roubar mantimentos e bens de aldeias abandonadas. A polícia não conseguiu intervir a tempo de evitar o desfecho fatal imposto pela população.
O Incidente e a Captura
O caso ocorreu na noite do dia 8 de maio, na aldeia de Ncocori, pertencente ao posto administrativo de Metoro, no distrito de Ancuabe — uma área que enfrenta uma crescente instabilidade à medida que a violência armada se alastra para o sul da província.
A dinâmica dos acontecimentos desenrolou-se da seguinte forma:
- O pretexto: No mesmo dia do linchamento, grupos insurgentes atacaram a localidade vizinha de Namacuili. Os supostos saqueadores aproveitaram a fuga em massa dos residentes para invadir as habitações abandonadas.
- A emboscada populacional: Apesar do pânico, alguns homens da aldeia decidiram esconder-se no mato nas redondezas com o objetivo de vigiar e proteger as suas propriedades. Foi durante esta vigília que flagraram os indivíduos a realizar os saques.
- A captura: De acordo com fontes comunitárias, o grupo de saqueadores era maior, mas a população apenas conseguiu capturar cinco dos envolvidos.
Justiça Popular e Vítimas
Os cinco homens capturados foram alvo de violentos espancamentos por parte dos residentes antes de serem entregues às autoridades.
- Vítimas mortais: Devido à extrema gravidade dos ferimentos infligidos pela multidão, dois dos indivíduos acabaram por morrer no próprio local do incidente.
- Sobreviventes: Os três detidos restantes foram encaminhados para o Comando Distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Ancuabe. Uma fonte da administração distrital de Ancuabe confirmou via telefone que, até ao final da noite de sábado, dois desses homens ainda se encontravam internados a receber tratamento no centro de saúde local.
A Falha na Segurança e a Escalada da Violência
A Moz Times, reportando a partir de Pemba, salienta que este tipo de violência popular contra pessoas acusadas de integrarem grupos insurgentes — ou de se fazerem passar por eles — tornou-se comum em Cabo Delgado.
O problema é severamente agravado pela falta de policiamento em várias comunidades. A ausência de forças de segurança para intervir atempadamente e travar os episódios de tortura ou execuções sumárias, como aconteceu neste caso, aumenta substancialmente o risco de uma escalada na violência comunitária na região.
Fonte: Mozambique Times