Gamito denuncia plano para o assassinar – Times de Todos – Noti Mz

O activista de direitos humanos Gamito dos Santos veio a público alertar para uma nova onda de intimidações que ameaça a sua vida e integridade física. O líder da organização Koshukuro denuncia a existência de um complô, desenhado nas altas esferas, para o assassinar — um plano que terá sido inicialmente travado em janeiro por figuras internas discordantes, mas que se encontra agora novamente em marcha.

​Num desabafo contundente, Gamito dos Santos acusa o regime de utilizar táticas de espionagem contra si, que incluem a infiltração de agentes e o recurso a mulheres como “isco” para ações de sedução e recolha de informações.

​Os Motivos: Processos Contra a Polícia e Mortes em Mogovolas

​Segundo o activista, as ameaças têm origem nas autoridades policiais e procuram silenciar a sua cidadania ativa e o seu forte trabalho de litigância. Através da sua organização, Koshukuro, Gamito tem exposto elementos da Polícia da República de Moçambique (PRM) à Procuradoria por diversos crimes graves, incluindo:

  • ​Práticas de tortura no interior das esquadras;
  • ​Detenções arbitrárias de cidadãos;
  • ​Alegado envolvimento em redes de tráfico de drogas.

​Atualmente, a organização move cinco processos-crime contra membros da corporação na Procuradoria, além de emitir várias denúncias públicas a exigir investigações. O rastilho mais recente para esta escalada de tensão estará ligado a uma pesquisa em curso da Koshukuro sobre a morte de garimpeiros em Iulute, no distrito de Mogovolas, ocorrida em dezembro de 2025.

​Perseguição e Confronto com o Comandante Provincial

​O activista, com base em fontes de dentro do próprio sistema, detalhou episódios recentes de perseguição direta. Relatou ter sido seguido por duas motorizadas durante a noite, o que o forçou a pernoitar num local seguro. “Dias depois disseram-me que, na verdade, chegaram à minha casa para fazer reconhecimento e tiraram fotografias”, revelou, acrescentando que também foi alertado via redes sociais de que teria sido fotografado a passar perto da segunda esquadra da polícia.

​A situação atingiu o pico após uma tentativa de diálogo institucional. Ao deslocar-se ao gabinete do comandante provincial da polícia para obter um ponto de situação sobre as mortes dos garimpeiros, Gamito deparou-se com uma postura hostil.

​”Uma das coisas que ele fez foi desviar-se do assunto e começar a falar do meu exercício de cidadania. Primeiro perguntou a minha idade e revelou que não gosta do facto de eu estar a atacar a PRM”, explicou o activista. O comandante não respondeu às questões relativas à investigação em Iulute, o que levou Gamito a interpretar as palavras como uma ameaça velada.

​”Quando associo aos episódios que vivo, às mensagens intimidatórias (…) e aos alertas vindos de pessoas ligadas ao regime, chego à conclusão de que há um plano macabro traçado contra mim. Mas não está a ser executado plenamente porque, dentro do sistema, há quem apoie a minha intervenção e há quem não”, constatou.

​”Se Me Perseguem, é Porque Estou a Fazer Algo”

​Apesar do cenário de perigo iminente, Gamito dos Santos garante que não irá recuar na sua missão de defesa dos direitos humanos.

​O activista assume estar ciente dos riscos inerentes à sua causa desde o momento em que a abraçou. Embora confesse que a sua integridade física e segurança estão efetivamente sob ameaça, o seu principal apelo é focado nos seus entes queridos: “Só rogo que haja formas de proteger a minha família.”

​”Caso seja efetivamente cumprido o plano de me eliminar, vão fazer o que quiserem, mas confesso que isso não me vai parar. Porque, se me perseguem, é porque estou a fazer algo”, rematou.

(Com base em publicação original do Jornal Rigor)

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