A direcção do Hospital Central de Nampula (HCN) rejeitou veementemente as alegações de que três pacientes teriam perdido a vida devido à escassez de oxigénio, na sequência de um corte de energia ocorrido no último domingo (dia 7). A instituição de saúde esclareceu que os óbitos registados nas últimas 24 horas deveram-se, na verdade, a complicações clínicas de extrema gravidade.
O desmentido formal foi apresentado nesta segunda-feira (8) por Frederico Sebastião, director-geral do HCN, durante uma conferência de imprensa. O encontro com os jornalistas teve como objectivo principal travar a desinformação que circulava nas redes sociais, que associava as três mortes a uma suposta falha nos equipamentos de suporte respiratório durante o apagão eléctrico.
As Verdadeiras Causas dos Óbitos
Classificando a disseminação destes rumores como “actos de má-fé”, o responsável do hospital detalhou as razões clínicas que ditaram a morte dos pacientes:
- Um recém-nascido: Faleceu vítima de um quadro de asfixia grave no período pós-parto;
- Uma criança (5 a 6 meses): Perdeu a vida devido a uma infecção severa desenvolvida após ter sido submetida a uma intervenção cirúrgica;
- Um paciente adulto: Internado no serviço de Medicina, cujo óbito decorreu de uma doença crónica associada.
Frederico Sebastião garantiu que a assistência respiratória na unidade nunca esteve comprometida. O director-geral explicou que o HCN está equipado com três sistemas autónomos de abastecimento de oxigénio, cuja operacionalidade é totalmente independente do fornecimento de corrente eléctrica.
Avaria nos Geradores e Plano de Contingência
Embora tenha refutado as acusações sobre o oxigénio, a direcção admitiu que o hospital enfrentou constrangimentos técnicos reais com os seus sistemas de energia de reserva durante o corte geral.
- Por volta das 09h00, um dos geradores apresentou dificuldades no arranque.
- Cerca das 10h30, o gerador específico da maternidade também começou a registar falhas operacionais.
Para contornar o problema e assegurar os cuidados intensivos e cirúrgicos (especialmente para as pacientes em trabalho de parto), foi desencadeada uma rápida operação de contingência. O hospital contou com a intervenção directa do Governador da Província de Nampula, que disponibilizou prontamente 200 litros de combustível e um gerador adicional para estabilizar a rede eléctrica do HCN.
Articulação com Marrere e Sucesso Cirúrgico
A par do reforço energético, o Hospital Central articulou-se com o Hospital Geral de Marrere para garantir que nenhum paciente ficasse sem assistência urgente. A logística de bloco operatório decorreu da seguinte forma:
- Quatro pacientes foram transferidas para o Hospital de Marrere, onde uma equipa médica destacada pelo HCN realizou as cirurgias programadas com sucesso;
- Quatro pacientes permaneceram no Hospital Central de Nampula, tendo sido operadas sem sobressaltos;
- Dois pacientes urgentes, que deram entrada no banco de socorro a necessitar de cirurgia, foram devidamente assistidos nas instalações do HCN logo após a entrada em funcionamento do novo gerador cedido pela província.
“Foi-nos alocado um gerador pelo governador e conseguimos resolver todas as situações que tínhamos naquele momento. Tivemos três óbitos, mas nenhum deles esteve relacionado com a falta de oxigénio. Quem precisava de oxigénio recebeu assistência, porque o nosso sistema de oxigenoterapia não depende da energia eléctrica,” reiterou Frederico Sebastião, tranquilizando assim a população de Nampula.
(Com base na informação original do Jornal Rigor)