Dívida Pública Cresce 9,2 Mil Milhões no Primeiro Trimestre – Times de Todos – Noti Mz

Maputo | 7 de Agosto de 2026
Os indicadores financeiros do arranque de 2026 revelam que o Estado moçambicano está a ficar cada vez mais endividado. Durante os primeiros três meses do ano, o Governo acumulou um novo passivo na ordem dos 9,2 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 1% quando comparado com os últimos três meses do ano passado.
Entre Janeiro e Março, o stock global da dívida do País atingiu a marca dos 1 099 788,31 milhões de meticais (o equivalente a 17 208,39 milhões de dólares).
Dinâmica da Carteira: Subida Interna e Alívio Externo
De acordo com os dados partilhados no Boletim da Dívida Pública do Primeiro Trimestre, o dado central deste período assenta na alteração da composição da carteira de endividamento nacional. Observou-se uma divergência clara de rumos entre os compromissos internos e externos:
- Agravamento da Dívida Interna: O endividamento a nível doméstico foi o principal responsável pela subida geral, registando um incremento de 12%. O montante passou de 474 508,83 milhões para 529 837,81 milhões de meticais. Esta escalada justifica-se, essencialmente, pelas novas emissões de dívida executadas através da Facilidade de Crédito junto do Banco de Moçambique.
- Redução da Dívida Externa: Em sentido inverso, a dívida contraída além-fronteiras teve uma redução de 7,5%, estabelecendo-se em 8 918,02 milhões de dólares. Esta oscilação positiva é explicada, fundamentalmente, por dois factores: a operação de adiantamento realizada pelo banco central para o pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e o compromisso assumido pelo Governo em priorizar a contracção de empréstimos sob condições altamente concessionais.
Sector Empresarial do Estado e Credores Bilaterais
No que toca ao Sector Empresarial do Estado (SEE), verificou-se um abrandamento. A dívida directa destas entidades recuou 2,98% face ao quarto trimestre de 2025, uma melhoria que se deve ao pagamento parcial de obrigações.
Relativamente aos principais parceiros bilaterais, os pesos no stock da dívida externa mantiveram-se inalterados. O financiamento bilateral continua a ser liderado de forma expressiva por três nações, que representam as maiores fatias do total desta categoria de dívida:
- China: 14,5%
- Portugal: 4,6%
- Japão: 4,5%
Fonte: O País




