A Assembleia Municipal da Ibo, na província de Cabo Delgado, enfrenta uma situação de possível paralisação institucional devido a atrasos salariais superiores a um ano, falta de liderança efetiva e ausência de sessões regulares.
De acordo com informações apuradas junto de fontes ligadas à Assembleia Municipal, a decisão de não participar na primeira sessão ordinária do ano foi tomada a 5 de março de 2026, durante um encontro de preparação da referida sessão. Inicialmente prevista para o dia 5 de abril, a reunião foi posteriormente adiada para o dia 10 do mesmo mês, devido ao feriado de 7 de abril.
A decisão de boicote envolve membros das bancadas da FRELIMO e da RENAMO, que condicionam a participação ao pagamento dos salários em atraso.
Segundo fontes, a decisão foi tomada por consenso entre as duas bancadas, incluindo chefes das bancadas e das comissões da Assembleia Municipal, que afirmam que não haverá sessão caso a situação salarial não seja regularizada até à data marcada.
Os membros da Assembleia denunciam atrasos de vários meses de salários, incluindo o pagamento do 13.º salário, e acusam o município de falta de transparência na gestão dos fundos públicos e ausência de prestação de contas detalhada sobre as despesas realizadas.
As mesmas fontes afirmam que a primeira sessão ordinária deveria ter sido realizada entre janeiro e fevereiro, mas até ao momento não houve qualquer sessão, nem ordinária nem extraordinária, situação que tem contribuído para o que descrevem como uma desorganização institucional.
Outro ponto levantado é a ausência prolongada do presidente da Assembleia Municipal do Ibo, Geraldo Bonzo, que, segundo fontes, encontra-se fora do distrito há mais de três meses, alegadamente na zona sul do país.
A Zumbo FM Notícias tentou contactar o presidente da Assembleia Municipal e o edil do município, Issa Tarmamade, mas até ao momento não houve resposta.