As inundações que atingem Moçambique desde outubro de 2025 já provocaram 309 mortes e afetam cerca de 1,06 milhões de pessoas. Na província de Gaza, os prejuízos económicos ainda não foram totalmente contabilizados.
Segundo estimativas da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), cerca de 240 empresas na província sul do país encerraram temporariamente devido às cheias, afetando mais de 3.000 trabalhadores. Entre estes, 24% têm contratos permanentes, enquanto o restante é composto por trabalhadores sazonais. A CTA alerta que o número de empresas afetadas poderá aumentar, pois o levantamento de danos nos distritos inundados ainda está em curso.
Os impactos abrangem diversos setores, incluindo agricultura, pequenos negócios e trabalhadores independentes. A situação continua crítica, já que a província ainda se encontra na época chuvosa, com novas inundações atingindo campos agrícolas em vários distritos.
O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) atualizou que, desde outubro, o total de pessoas afetadas chega a 1,06 milhões. As cheias de janeiro causaram 43 mortes, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando 715.803 pessoas, enquanto a passagem do ciclone Gezani, em Inhambane, nos dias 13 e 14 de fevereiro, provocou quatro mortes e afetou 9.040 pessoas.
Em termos de infraestrutura, 24.229 casas ficaram parcialmente destruídas, 11.996 totalmente destruídas e 209.219 inundadas. A atual época chuvosa também afetou 304 unidades de saúde, 109 locais de culto e 764 escolas.
Na agricultura, foram perdidos 316.267 hectares de cultivo, impactando 371.320 agricultores, e morreram 531.116 animais, incluindo bovinos, caprinos e aves. A rede rodoviária também sofreu danos significativos, com 9.522 quilómetros de estradas afetadas, 51 pontes danificadas e 237 aquedutos comprometidos.
As cheias continuam a provocar graves perdas humanas e materiais, mantendo a província de Gaza em alerta e sob monitoramento constante das autoridades.
Fonte: Observador