O Banco Mundial alertou para o agravamento da dívida pública de Moçambique, classificando-a como insustentável e em situação de incumprimento, de acordo com um novo relatório sobre a economia moçambicana.
No relatório de Atualização Económica de Moçambique, intitulado “Da fragilidade à estabilidade – Porque as reformas fiscais não podem esperar”, a instituição financeira internacional afirma que a dívida pública do país continua a aumentar e que a situação se agravou em relação às análises anteriores.
Segundo o documento, a dívida pública total e garantida pelo Estado estabilizou em cerca de 91,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2024. No entanto, a análise de sustentabilidade da dívida realizada pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional, publicada em fevereiro de 2026, concluiu que a dívida moçambicana está em situação de incumprimento e é considerada insustentável, sobretudo devido às crescentes pressões fiscais que não foram resolvidas.
O relatório aponta ainda que existem atrasos no pagamento da dívida, que representavam cerca de 1,3% do PIB até dezembro de 2025. A instituição alerta que, mantendo-se as políticas atuais, a dívida deverá continuar a crescer a partir de níveis já considerados muito elevados.
Outro ponto destacado é o aumento da dependência do financiamento do Banco de Moçambique por parte do Estado. De acordo com o relatório, o financiamento do banco central ao Governo atingiu cerca de 6% do PIB em dezembro de 2025, um aumento significativo em relação aos 1,5% registados em 2023.
O documento refere também que a dívida interna tem sido emitida principalmente através de instrumentos de curto prazo, com taxas de juro médias elevadas, próximas de 12,6%. Embora represente menos de um terço da dívida pública total, a dívida interna é responsável pela maior parte dos pagamentos de juros.
O Banco Mundial alerta ainda que o interesse dos investidores nacionais por obrigações do Tesouro diminuiu, devido ao aumento do risco associado à dívida pública e aos atrasos nos pagamentos por parte do Estado. Em muitos casos, as novas obrigações emitidas em 2025 serviram apenas para refinanciar dívidas antigas.
A instituição considera que a dívida interna continua a ser uma das maiores vulnerabilidades económicas do país, devido aos prazos curtos, juros elevados e ao facto de grande parte dos empréstimos ter sido usada para financiar despesas correntes.
Por sua vez, o Banco de Moçambique também voltou a alertar recentemente para o aumento do endividamento público interno, que já ultrapassa os 6,5 mil milhões de euros. O banco central afirma que os atrasos no pagamento da dívida pública interna estão a afetar o funcionamento do mercado financeiro e a reduzir o interesse por títulos do Estado.
As autoridades financeiras alertam que o aumento da dívida interna, aliado a custos elevados e prazos curtos de pagamento, poderá criar fortes pressões financeiras já a partir de 2026.