Especialistas apontam que não é surpresa Moçambique figurar como o segundo país mais pobre do mundo e destacam falhas na governação, além da necessidade de investimento em áreas prioritárias.
O ranking mais recente do Banco Mundial posiciona Moçambique em segundo lugar entre as nações mais pobres globalmente.
Para o analista André Mulungo, essa colocação já era esperada, considerando os últimos anos de governação, e explica os motivos:
“O Estado sobrevive com tubos ligados ao Banco Mundial e ao FMI. É como se estivesse num coma induzido para tentar recuperar, depois do desgoverno do último regime do Presidente Nyusi. Os números do próprio Banco Mundial mostram que a pobreza aumentou”, afirmou Mulungo.
Ele ressalta que, embora Moçambique seja um Estado soberano, organismos como o Banco Mundial e o FMI têm participação indireta na situação, por fornecerem financiamento que nem sempre é usado de forma eficaz.
O analista Jorge Matine concorda, destacando que a baixa cultura de prestação de contas e a falta de transparência nas instituições financeiras contribuem para o problema.
Mulungo acrescenta: “Essas instituições também não são isentas. Elas alimentam o Governo com dinheiro, que muitas vezes é mal utilizado, sem que haja fiscalização real.”
Outra razão para o baixo desenvolvimento, segundo Esaú Cossa, é a ausência de acompanhamento e responsabilização em projetos-chave. Ele cita iniciativas na agricultura que, apesar de promissoras, parecem ter sido abandonadas sem explicação, prejudicando setores essenciais à economia familiar e ao crescimento sustentável.
Os analistas também criticam a captura de recursos por elites políticas, que concentram riqueza e poder, impedindo que os investimentos beneficiem de fato o desenvolvimento do país. “Os recursos acabam nas mãos de uma elite que empobrece o país, em vez de promover crescimento econômico real”, explicou Mulungo.
Como solução, os especialistas defendem investimentos em áreas essenciais, como agricultura e infraestruturas, e maior transparência na gestão dos fundos públicos, para reduzir a pobreza estrutural e persistente que ainda marca Moçambique.
Os comentários foram feitos durante o programa Noite Informativa, nesta segunda-feira.