O Governo de Moçambique manifestou o seu repúdio face aos recentes assassinatos de membros da Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), formação política fundada pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane. O Executivo instou as autoridades policiais a conduzirem investigações céleres para apurar as motivações e responsabilizar criminalmente os autores destes atos de violência.
O Repúdio do Conselho de Ministros
No final de uma sessão do Conselho de Ministros realizada em Maputo, o porta-voz do órgão, Inocêncio Impissa, sublinhou que o Governo não tolera o recurso à justiça privada e defendeu que ninguém tem o direito de tirar a vida a outro cidadão.
”Não sabemos o que estará por detrás, é um caso que deve ser perseguido, as autoridades deverão naturalmente perseguir para buscar as razões”, declarou Impissa. O governante apelou à calma da população enquanto decorrem as diligências, garantindo que o Governo continuará a pressionar as autoridades competentes para que encontrem e penalizem os culpados a breve trecho.
Onda de Homicídios Recentes
A reação governamental surge na sequência de novos episódios sangrentos contra apoiantes do novo projeto político. Na passada sexta-feira, a polícia confirmou que um membro da ANAMOLA foi morto a tiro no interior da sua própria residência, localizada no distrito de Massangena, na província de Gaza.
Este crime soma-se a um outro homicídio ocorrido na noite de 9 de maio, quando Anselmo Vicente, coordenador do partido na cidade de Chimoio (região centro do país), foi fatalmente baleado.
Venâncio Mondlane Denuncia 56 Mortes e 436 Casos de Violência
A dimensão da perseguição foi exposta publicamente no dia 11 de maio por Venâncio Mondlane, um dos maiores críticos da atual governação. Através de uma transmissão em direto no Facebook, o líder político denunciou que o número de membros do seu partido brutalmente assassinados já ascende a 56, apontando o dedo às Forças de Defesa e Segurança como as alegadas responsáveis pelas mortes.
Para além dos homicídios, Mondlane revelou que a ANAMOLA tem registados 436 casos documentados de violência extrema, que englobam agressões físicas e o incêndio de habitações. Em resposta a esta escalada de tensão, o político convocou na altura uma jornada de protesto, apelando aos seus simpatizantes para cumprirem um minuto de silêncio, entoarem o hino nacional e usarem apitos.
O líder da ANAMOLA atribui esta onda de violência à robusta base social que o partido conquistou e à sua “aceitação e força brutal” no seio da população, reiterando a sua firme disposição para travar uma luta política “livre, justa e pacífica”. Para travar os ataques, Mondlane anunciou que se dirigiu na semana passada à Procuradoria-Geral da República (PGR) para formalizar uma queixa de perseguição política, tendo submetido um relatório atualizado com os 436 casos de violência contra a sua formação política.