Kenmare acusada de poluir água consumida por comunidades de Nampula – Noti Mz

A organização Solidariedade Moçambique acusa a empresa mineira Kenmare de estar na origem de uma possível poluição ambiental que estará a afectar fontes de água utilizadas por comunidades dos distritos de Larde e Moma, na província de Nampula.
A denúncia resulta de análises laboratoriais solicitadas pela organização ao Laboratório de Higiene de Águas e Alimentos do Serviço Provincial de Saúde de Nampula. As amostras foram recolhidas no dia 30 de Julho, incluindo água de um furo localizado na Escola Secundária de Topuito e de duas lagoas, situadas nas localidades de Topuito e Pilivili.
Os três boletins laboratoriais, emitidos em 6 de Agosto, classificaram as amostras como impróprias para o consumo humano, por não cumprirem os parâmetros de potabilidade previstos na legislação moçambicana.
Perante os resultados, a Solidariedade Moçambique defende a realização de uma investigação para determinar a origem das alterações verificadas na qualidade da água e apurar uma eventual contaminação do lençol freático.
Segundo a organização, o problema não seria recente e continuaria a afectar comunidades que dependem dessas fontes para o abastecimento de água.
Kenmare rejeita responsabilidade
A Kenmare nega, entretanto, que as actividades da empresa sejam responsáveis pela qualidade da água analisada.
Em relação ao furo da Escola Secundária de Topuito, a mineradora sustenta que os níveis elevados de determinados parâmetros identificados nas análises têm origem natural e não estão relacionados com as suas operações mineiras.
Apesar de rejeitar a responsabilidade pela contaminação, a empresa reconhece que ocorreu um derrame de diesel em Agosto de 2025, numa zona húmida próxima da sua fábrica de separação de minerais, em Topuito.
Documentos da própria empresa referem que, na sequência do incidente, foi identificado solo contaminado e um possível fluxo de contaminação em direcção à zona húmida.
A Kenmare afirma ter implementado medidas de mitigação, incluindo a remoção do solo contaminado e o bombeamento do diesel.
A empresa acrescenta que, em Julho de 2026, foram novamente detectados vestígios de diesel na área, mas considera que estes estão relacionados com o incidente registado em 2025.
Situação em Pilivili
Quanto à água analisada em Pilivili, a Kenmare também rejeita qualquer relação entre as suas actividades e os resultados obtidos.
A empresa afirma que realiza uma monitoria mensal do Rio Mualadi como parte do acompanhamento da qualidade da água na região.
Apesar da divergência entre as partes, os resultados laboratoriais confirmam que as águas analisadas apresentam problemas de qualidade e não são consideradas próprias para consumo humano.
Contudo, os exames realizados não estabelecem, por si só, a origem da alteração da qualidade da água nem atribuem responsabilidade à Kenmare. A determinação da fonte da possível contaminação dependerá de uma investigação ambiental mais aprofundada.




